Eu disse que não tinha gostado de nada e eles quiseram saber o porquê.
Daí eu perdi um tempão tentando explicar pra eles que nada na vida tinha uma razão plausível. Tudo era feito inconscientemente para satisfazer a demanda dos fatos, a realidade é na verdade uma grande falsificadora de momentos, nos apressando e tirando previlégio de vivê-los sem a selvageria da inocência.
- Mas senhor eu respeito sua idade e sabedoria, mas, veja bem, eu vivo a quarenta e sete anos neste mundo e venho a pensar que a realidade é dura demais. Como o senhor diz que vivemos sem razão e sem discernimento dos fatos? Eu, que sempre me julguei lúcido - disse o homem sem ao menos pensar a respeito.
- A lucidez é uma das armas que a realidade em que vives. Ela usa suas artimanhas de mestre das ilusões para confundir o certo do errado e para te jogar a poção do sono - respondi.
E ninguém mais foi visto caminhando pelas redondezas daquela vizinhança pálida, onde os carros não passavam e não existia diferença entre o dia e a noite. Todos viviam sem saber o porque e todos acreditavam em suas convicções de plástico. E, cedo, nos tombos dos primeiros passos, no som das primeiras palavras, nas curvas do beabá, aprendiam a tapear suas consciências com a imagem de felicidade alcançada, escondendo os verdadeiros desejos e sentimentos de um ser desprendido de padrões, voando livre pelos ares do mundo, nadando no oceano da vida.
Levanta-te e anda. Tudo podes.
Zaracla
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