O que estou propondo, apesar de todas convergências, divergências e convexidades, é um ensaio. Um estudo, um paradigma-doxal. O que estou propondo, por mais insólito que possa parecer é um ritual. Um ritual sobre o tempo.
O tempo que se leva entre a ferida e a dor. O tempo que se espera para a espera acabar. O tempo que leva pra sentir-se o amor. 1, 2, 3, comecemos a contar. As sombras se movem em detrimento da visão. As luzes se apagam e as palavras são em vão. Os personagens já não representam nada. Podemos até dizer que os personagens são as palavras. O sentido se disfarça de quebra cabeça. As imagens não se encaixam, não se movem, apenas representam fragmentos. E cai a chuva na luz da razão, fazendo ruir o obscuro, fazendo correr a mil léguas o que acreditavamos ser visão. Tempo, tempo, tempo. Quebrando o sentido. Caindo as cadeiras do destino.
Vejo as estrelas o sol e as rugas. Sinto o vento e os passos da vida. Se há palavra é porque há o tempo. Se existimos, o que levaremos? Esse rito não mexe com a matéria. Mas com a anti-energia do tempo e o legado da sua miséria. O que quero com esse ato não é impressionar. É cair em parafusos, é saltar etapas invencíveis. O que proponho é a lingua desafiar o paladar. Os cachorros correm em bando. Os homem segue as massas. O tempo não.
Se ontem já passou, pra que esperar? Se agora eu falo, será que é por falar? Embora tenhamos a resposta, preferimos semear a dúvida. Só assim cada um pode encontrar as suas. No fundo do seu olho refletem essas imagens. No fundo do poço ainda resta água. Não há mais idéias. Carecemos de vida. Desconheço o amor. Mas amo tanto.
O que acontece se eu parar de pensar?
O que ouviríamos se eu parasse de falar?
Ouviriamos seu suspiro e talvez minha vergonha. Respiro de fumaça em passos de fogo. Quem é o autor de toda essa merda? Quem perdeu seu tempo sem ao menos acreditar nisso tudo? Declaro que nessa hora, nesse momento, agora aqui, nada existiu. Nada aconteceu. É a ilusão do tempo que fez de nós suas vítimas. Somos crianças e o tempo é avô. Somos público e o tempo é ator. Somos atores e o tempo é diretor. Quem diria que pagaríamos para fazer papel de palhaço. Quem acredita que pode levantar e ir embora?
Tempo, se permite, vamos acabar.
De começar. E começar.
Zaracla
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